22 de abr. de 2007

DIARISMO CORRUPTIVEL

Entre as folhas de jornal, a programação televisiva, o coro insistente dos
ambientalistas contra o efeito estufa, a lágrima da mãe que perde seu filho
por bala perdida, há um vazio. Entre todos os assuntos, um vazio que cresce
e toma dimensões nunca vistas. É a sociedade vazia nada acrescenta e nada
tira, apenas existe. É ineficaz com suas palavras, que não emocionam e nem
fazem uma revolução. É repetitivo e nasce da rotina diária, desde o acordar
até o dormir - ele brota das observações da vida, reflexo dessa inconstância
de sentimentos de amor e ódio, de tristeza e felicidade. Essa sociedade onde
se morre aos poucos.

Morre-se aos poucos quando os olhos se fecham para o novo, a vida
restringe-se somente a uma repetição diária e quando não há vontade de se
crescer intelectualmente. Morre-se aos poucos quando a televisão ocupa a
vida, quando os vícios falam mais alto e quando a violência se torna coisa
natural. Tudo isso é reflexo do vazio social, onde o homem passou a ser
mercadoria e seus direitos de cidadão passaram a ser direitos de consumidor.

Esse é o vazio onde pouco se muda, nada se transforma e a grande parte das
ações se estagna. É o fruto dessa demagogia, onde se prega a mudança do
outro e não sua própria mudança. É o vazio humano, tão presente nas ações
diárias. É a filosofia do "eu sou perfeito, o outro que é ruim". Cabe a quem
mudar esses rumos?

Não há mudança que se inicie sem que o homem eleve sua voz contra a
injustiça, mesmo que num processo solitário. A transformação individual é o
caminho para uma sociedade melhor.

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