Existem chefes de todos os tipos, desde o compreensível demais, passando pelo egoísta - que pensa somente nele e não na equipe - até aquele de quem você quer distância. Quase todo mundo já lidou com um desses tipos.
- Uma coisa que eu notei quando trabalhava sob as ordens de um chefe é que às vezes as metas que ele me apresentava, na verdade, eram as metas dele. Ou seja, ele queria usar a equipe para atingir um objetivo pessoal, não estava pensando no todo. Quem age assim, acaba gerando o efeito contrário e perde a confiança de todo o grupo – explica Gustavo Rissio, da Compera.
E aquele chefe bonzinho, que todo mundo gostaria de ter? Até que ponto isso pode ser bom para a equipe e para a empresa? Segundo Daniel Figueiredo, esse é um dos mais problemáticos, porque não exerce nenhum tipo de liderança, perde o respeito de todos e acaba ficando por isso mesmo. Com isso, a equipe acaba se acomodando.
Um chefe deve ter disciplina, mostrar espírito de liderança e autoridade, mas sem exageros. Quando isso ocorre, o mal-estar é inevitável, causando insegurança no ambiente de trabalho. Isso é o que acontece quando surge a figura daquele chefe ditador, tirano, que, ao invés de colaborar e dar orientação, preocupa-se apenas com os resultados e tem como filosofia de vida cobranças absurdas, sem fundamento, fazendo uso de autoritarismo.
Efeitos negativos
Um perfil desses é fatal para a imagem de qualquer postulante a um cargo de chefia. Hoje, poucas empresas valorizam esse tipo de comportamento, que nada faz a não ser prejudicar o trabalho das equipes. Portanto, humilhar um subordinado ou cometer excessos na hora de cobrar são atitudes pra lá de ultrapassadas.
- Uma bronca é aceitável e muitas vezes se faz necessária, desde que não ultrapasse os limites. Se isso acontece, acaba trazendo resultados negativos para todo mundo, inclusive o chefe. Costumo cobrar muito dos meus estagiários, porque também sou cobrado, mas procuro não deixar o ambiente tenso, porque isso não leva a nada – observa Sidney Mayeda, da Namy Solutions.
Luís Fernando Novo, da Delta Tech, acredita que parte das críticas que muitos chefes recebem é fruto do conservadorismo existente na política administrativa de algumas empresas.
- Essa era uma das coisas que mais me irritavam na época em que eu era subordinado. Não conseguia aceitar o fato de uma empresa com foco na Internet tivesse medo de inovar, não deixando a equipe propor novos caminhos, negando novas idéias. E nessas horas, tudo o que você mais precisa é de um chefe que te incentive e te dê apoio – opina.
Gustavo Rissio, da Compera, acredita que tudo se resolve através de um estreito relacionamento entre o chefe e sua equipe, possibilitando, assim, uma abertura a críticas e sugestões.
- Procuro exercer muito mais o papel de coordenador do que o de chefe. As cobranças, quando surgem, não são nenhuma surpresa, porque isso já é acertado antes. Tento ser o mais aberto possível, dando liberdade às pessoas, e sei que quanto mais próximo eu estiver deles, melhores serão os resultados – acrescenta Rissio.
Psicólogo de plantão
A essa altura, é possível perceber que ser chefe tem seus prós e contras. Mas como será que eles enxergam isso? Daniel Figueiredo, da Data Stream, avalia a questão e diz que um profissional nessa posição às vezes tem que assumir até a função de "psicólogo".
- Você fica obrigado a lidar com a vaidade das pessoas, a inveja e os conflitos que podem surgir, principalmente se for em uma equipe de vendas, que é comissionada. Você também precisa saber equilibrar as coisas e estabelecer limites, para que a liberdade dada aos colaboradores não extrapole – avalia.
Mas há quem tire proveito disso e enxergue pontos positivos até na hora de cobrar. Fábio Caldeira, da Compera, é um deles.
- Eu me vejo como um chefe em aprendizado contínuo e não como dono das decisões. Há situações em que sei que não posso dar conta sozinho e preciso de minha equipe. Por isso, até na hora de fazer uma cobrança, procuro ser o mais amigável possível – conclui Caldeira.
Se você encontra-se na mesma situação que os profissionais aqui entrevistados, parabéns. Caso contrário, que tal avaliar sua posição e a imagem que você passa à sua equipe? Pense nisso.
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