28 de abr. de 2009

O Livro 'A arte de furtar' Anonimos.

Indico esse livro aos grande amigos, e os que ainda não são, mas que me escrevem, dando opiniões e trocando idéias filosóficas.

Arte de furtar (com o inusitado subtítulo de Espelho de enganos, teatro de verdades, mostrador de horas minguadas, gazua geral dos reinos de Portugal oferecida a El-Rei nosso senhor D. João IV para que a emende) é um tratado anônimo do século XVIII sobre o mais antigo e difundido dos vícios humanos.

O roubo, ou o furto, é contemplado em suas inusitadas variações. Abordam-se os tipos de furto e os tipos de ladrão, além das variadas circunstâncias em que a má ação da.

Entre os capítulos deste gracioso compendio encontramos.

´Como os maiores ladrões são os que tem por ofício livrar-nos outros ladrões´,

´Como tomando pouco se rouba mais do que mando muito´,

´Dos ladrões que, furtando muito, nada ficam a dever na sua opinião´ e

´Dos que furtam com unhas disfarçadas´.

Aquela que e considerada a primeira edição da obra apareceu em Portugal, em 1744, datada, porém, de 1652. Devido ao humor, à ironia e, sobretudo, ao irretocável estilo do texto, durante muito tempo acreditou-se que Arte de furtar havia saído da pena do Padre Antonio Vieira. Mas, se controversa é a origem destas linhas, seu conteúdo continua tristemente atual. Que sirva de consolo ao leitor ser esta uma das pérolas da prosa barroca e um dos monumentos da literatura de língua portuguesa. TEXTO INTEGRAL.

A crise no casamento

 

A crise no casamento.

 

Para abordar as formas de conjugalidade contemporâneas é imprescindível entendermos o que vem ocorrendo com o casamento nas últimas décadas. Causa ou efeitos do panorama atual? O que sabemos é que a instituição do casamento é cada vez mais questionada, especialmente pelos mais jovens, o que pode ser encarado como uma crise, ou simplesmente como um processo de transformações e adaptações que naturalmente se fazem necessárias numa época em que as mudanças são cada vez mais freqüentes e velozes.

Em todo o mundo a família e a instituição casamento vêm passando por momentos difíceis. Quando pensamos em família, logo nos vêm à cabeça aquele modelo tradicional que inclui mãe e pai casados e filhos. No entanto, as uniões conjugais têm ganhado formas cada vez mais heterogêneas, podendo ser adaptadas de acordo com os interesses do casal, pois a satisfação de cada um dos cônjuges é essencial nas relações modernas.

Ao estudar a crise no casamento contemporâneo, Bernardo Jablonski (1991) destaca e analisa o que seriam as principais razões para tal situação. Dentre elas estariam os processos de modernização e urbanização, que levariam a uma perda da visão coletiva e à ênfase nos interesses individuais e na intimidade, permitindo uma maior separação entre os membros da família e também o isolamento dos mais velhos. O autor denomina “fam-ilhas” as estruturas familiares resultantes dos processos citados. Assim, a família atual é caracterizada como uma ilha: cada vez menor mais distante da família extensa, mais centrada em si. Também contribui para isso a gradual perda de funções da família. Como trabalho, cuidados médicos, educação, asilo, funções estas que foram entregues a instâncias sociais. A mulher, que exercia a maioria destas funções, viu sua esfera de ação se restringida ao âmbito da afetividade ou a “funções psicológicas”, e estas por sua vez, são desvalorizadas em relação ao papel do homem, que trabalha para prover a família.

As famílias modernas possuem, portanto, grande função emocional. A perda das funções econômicas da família permitiu maior independência do indivíduo, e passa a poder viver sozinho, o que era impensáveis tempos atrás. Com o advento da modernidade, a família perde sua função histórica básica: a de garantir a nossa sobrevivência. A questão da afetividade tornou-se, então fundamental. O afeto que  era distribuído pela família extensa passou a concentra-se em poucos membros, que ganharam grande importância. Os filhos hoje têm uma importância emocional nunca tida antes. Mudou a maneira de enxergar as crianças, que passaram de adultos em ‘miniatura’ a seres singulares e possuidores de atributos admiráveis, o que trouxe como conseqüência uma sobrecarga emocional. A diminuição das taxas de mortalidade infantil também permitiu maior ligação emocional com as crianças, já que se tornou mais remota a possibilidade do envovilmento ser interrompido por uma morte precoce. Com a afetividade em foco, o amor ganhou importância central nas relações familiares, criando uma interdependência entre os membros, no sentido de terem de suprir todas as necessidades afetivas uns dos outros. Para a família, ficou difícil então atender a todas as expectativas.

 

Outra razão para a situação de crise seria a idealização do amor. Jablonski (1991) destaca o quão recente é a união entre amor e casamento. Até aproximadamente o século XVII os casamento não eram realizados por amor, mas sim por interesses econômicos.

Outro fator motivador da crise seria a longevidade. No século XX as taxas de mortalidade caíram surpreendentemente, aumentando a expectativa de vida, de modo que os casamentos tendem a durar muito mais, ao menos teoricamente. Na prática, como veremos ao longo deste trabalho, a modernidade trouxe a possibilidade de encurtar casamentos não tão bem sucedidos com certas facilidades, menos culpa e maior aceitação social. Hoje, o divórcio encerra uniões da mesma forma que a morte o fazia há tempos atrás. Os casamentos duravam até a morte numa época em que a expectativa de vida era bem menor. Soma-se a isso o fato de as famílias estarem mais nucleares, o que faz com que os cônjuges voltem a atenção uns para os outros, pois já não há muitos filhos. E esses poucos crescem e saem de casa bem antes do falecimento dos seus pais, e quando isso acorre, homem e mulher voltam a perceber-se depois de muitos anos devotados às crianças, ao trabalho e a interesses pessoais. Daí surgem os conflitos, pois os cônjuges precisam lidar mais diretamente com as diferenças individuais e, na maioria das vezes, não estão preparados para isso.

As transformações acorridas na esfera da sexualidade também afetaram profundamente as relações amorosas, especialmente no que diz respeito ao papel da mulher neste contexto. Assim como a liberação sexual, a emancipação feminina tem levado a uma demanda de maior igualdade entre homens e mulheres. No entanto, apesar de a mulher estar saindo da posição passiva, ela ainda não condiz com aquilo que a mídia divulga, estando no meio do caminho, o que, segundo o autor é fator que precipita a crise. Sabemos que a frustração aumenta à medida que ocorre mais próxima do alvo. Fazendo uma analogia à questão da emancipação feminina, ele conside que o grau de insatisfação das mulheres era menor quando elas eram mais passivas com relação ao casamento. Quanto maior a expectativa, maior a frustração. E a frustração das mulheres com relação ao casamento estaria ocorrendo devido aos avanços relacionados à emancipação feminina, pela sobrecarga trazida pela dupla jornada, entre outras coisas, elas nem sempre conseguem corresponder a todas as expectativas que a sociedade lhes impõe, sentindo-se frustradas por não alcançarem aquele ideal de mulher difundido pelos meios de comunicação.

São ainda as mulheres as mais afetadas pelas conseqüências  da revolução sexual da década de 60. O advento da pílula permitiu a separação entre sexo e procriação, dando a elas a possibilidade de desfrutar de certa liberdade até então exclusiva dos homens, o que também pode ter contribuído para a diminuição do número de mulheres casando-se virgens. O sexo vem se tornando mais igualitário, com uma maior preocupação com o prazer da mulher, e a virgindade feminina também não é mais valorizada e guardada como antigamente, sendo considerada hoje uma opção. O autor ressalta, ainda, que hoje elas são as que mais tomam a iniciativa do divórcio, apresentando maior insatisfação com o casamento.

A posição mais independente e ativa da mulher trouxe conseqüências também para a questão da fidelidade. Podemos dizer que ainda hoje, no que diz respeito às diferenças de gênero, vigora a chamada “dupla moral”: meninos e meninas recebem educação diferente com relação à sexualidade. Elas são orientadas de maneira mais conservadora. Apesar disso, a emancipação feminina permitiu que a mulher contestasse algo que sempre foi tido como “natural”, que é a infidelidade masculina. E ela não só contesta como também reivindica seus direitos, o que tem provocado muita polêmica.

Jablonski (1991) chama a atenção para a contradição entre a concepção de casamento monogâmico indissolúvel e a liberação sexual, que faz da monogamia um compromisso difícil de ser cumprido para muitas pessoas. O adultério aparece então como uma das soluções encontradas para lidar com um problema trazido pela longevidade: os casamentos muito duradouros. Torna-se difícil ter de se contentar com um único parceiro durante muito tempo, enquanto vivemos numa busca incessante por novidades, sob a influência de uma época marcada por rápidas transformações e imensa descartabilidade. Sabe-se que ainda hoje a infidelidade masculina é mais aceita que a feminina, porém a liberação e a emancipação feminina estão trazendo novas prerrogativas a esse respeito. Apesar de estudos mostrarem que as mulheres, quando se envolvem em relação extra maritais, o fazem dentro de um contexto mais afetivo, percebe-se que elas estão entrando com mais facilidade em relação de curta duração. Podemos verificar então que as mudanças no papel da mulher produziram grande impacto sobre o casamento, de modo que o autor considera a emancipação feminina um dos fatores relacionados à crise.

Finalmente, Jablonski (op.cit) destaca o papel da mídia nesta problemática. Hoje a televisão consegue atingir a maioria da população e por um tempo considerável, criando inclusive padrões comportamentais. A questão do casamento tem chamado a atenção da imprensa, mas apesar de prestar serviços importantes, a mídia às vezes divulga e generalizadas características de comportamento de um povo, mesmo que a informação não esteja correta a tendência é que tais características sirvam de modelo para todos os demais.

Em função da insegurança trazida por uma época de transições bruscas, as pessoas tendem a conformar-se com aquilo que lhes é transmitido. As respostas que antes vinham da família e da Igreja, hoje chegam através dos meios de comunicação. A TV mostra especialistas que trazem ensinamentos tanto para os pais quanto para os filhos,  norteando comportamentos, expectativas, educação. Mas a mídia não cria inverdades sem algum fundamento, e mesmo nestes casos a divulgação maciça acaba por tornar-se realidade. O aumento do número de divórcios e sua divulgação fazem com que cresça suas aceitações, e assim aumentem ainda mais, pois o medo da desaprovação social que inibia os divórcios não existe mais.

Mas o intenso processo de modernização que a sociedade vem sofrendo, e que atinge várias áreas, mas não todas, esbarram nas dificuldades que os indivíduos encontram em acompanhar tantas mudanças. Por mais que nos consideremos “modernos” todos nós temos uma “bagagem”, uma história de vida que não pode ser deixada para trás tão facilmente e substituída por novos valores de uma hora para outra.

O impacto dessas transformações recua também sobre a família e a subjetividade, causando dificuldade e angústia. As mudanças nos modelos e idéias de família não são assimiláveis facilmente, o que torna a adaptação ao novo um tanto quanto conflituosa.

A mudança social no âmbito da subjetividade é a que ocorre com mais dificuldade. As pessoas inseridas neste processo precisam estar sempre solucionando as dificuldades deles decorrentes, e assim acabam se protegendo atrás de rótulos como “modernas” ou “arcaicas”, rótulos estes que encobrem a complexidade do processo. A esse respeito, Figueira (1987) destaca o quanto as mudanças rápidas são superficiais, de forma que “o novo e o moderno convivem com o arcaico e o antiquado”. O autor distingue dois tipos de família: o primeiro é definido como  hierárquico e tradicional, e prevalecia nos setores médios da sociedade na década de 50. Esta família é relativamente organizada, “mapeada”. Nela as diferenças entre homem e mulher são muito bem demarcadas, com o homem ocupando uma posição superior em relação à mulher e aos filhos, havendo ainda um duplo padrão de moralidade. Da década de 50 em diante família sofreu um processo de modernização impulsionado por uma idéia de família igualitária, que questionava a hierarquia, a desigualdade e a diferença de privilégios. Nesta, as diferenças pessoais são mais relevantes que as sexuais, etárias ou posicionais, e as noções de certo e errado ganham flexibilidade. No entanto estes dois tipos bem definidos de família são muito mais idéias do que reais, servindo como modelo a ser seguido ou evitado.

Figueira (op.cit) ressalta que o processo de modernização não se dá de maneira linear, o que torna a realidade da família modernizada ambígua. A emergência de um ideal igualitário traz em seu bojo personagens heróicos e glamorosos que são constantemente substituídos como possibilidades de identificação para aqueles que desejam se desligar de suas identidades tradicionais. A velocidade das mudanças é tanta que novas identidade se sobrepõem às antigas sem que haja alteração substancial.

O processo de modernização também estaria produzindo, segundo o autor do livro, um enfraquecimento de fronteiras entre categorias diferentes, com a redefinição das mesmas através de uma idéia de ligação que trás uma nova identificação que lhes é comum. Por exemplo, através desta idéia, homens e mulheres, adultos e crianças são percebidos como indivíduos, minimizando suas diferenças intrínsecas. Tudo isso seria resultado de uma ideologia igualitarista que tende a diluir os marcadores das diferenças intrínsecas como sexo, idade ou posição social. As diferenças resultam cada vez mais de escolhas individuais dentro de um conjunto de possibilidades previamente definido, onde as manifestações hierárquicas são inibidas. No entanto, esta inibição se dá no plano do discurso e não necessariamente significa a abolição de certas idéias. Um exemplo disso é o fato de algumas maneiras de se falar de homossexuais e negros estarem sendo inibidas, sem que, no entanto, isso signifique que o preconceito esteja sendo erradicado.

Assim, a difusão da psicanálise teria papel importante neste processo, pois além de orientar as pessoas afetadas pela modernização acelerada, reforça a lógica do igualitarismo, da dissolução de fronteiras ou da construção delas. Os conceitos psicanalíticos são então considerados como universais e democratizantes, pois unem seres tidos como intrinsecamente diferentes em torno de uma só categoria: indivíduo.

Não se pode negar a relação existente entre as transformações sociais e as transformações subjetivas. Figueira (op.cit) chama a atenção para o fato de que as mudanças são tão rápidas que, ao contrário do que parece, o “moderno” não substitui o “arcaico”: eles coexistem. Mesmo que esteja invisível, o “arcaico” consegue fazer oposição ao “moderno”, que representa aquilo que desejamos, mas nem sempre conseguimos ser.

O autor chama de desmapeamento a coexistência de mapas ideais, identidades e normas contraditórias nos sujeitos: “O ‘desmapeamento’ não é perda ou simples ausência de ‘mapas’ para orientação, mas sem a existência de mapas diferentes e contraditórios inscritos em níveis diferentes e relativamente dissociados dentro do sujeito” (p 22). Além de gerar certa desorientação e conflitos de identidade, o desmapeamento também provocou tentativas de solução. Uma delas foi o aumento da demanda de psicoterapia e psicanálise em virtude das dificuldades trazidas por mudanças aceleradas. A segunda é definida pelo autor como “modernização reativa” ou falsa modernização. Para explicá-la o autor recorre à definição de dois tipos de regra: de primeiro grau e de segundo grau. A primeira requer uma autoridade exterior ao sujeito e define o conteúdo do comportamento, sendo fundamental para o ideal de família hierárquica, com noções claras de certo e errado. A segunda emana do exterior do sujeito, mas não define o seu comportamento e sim o convida a pensar e decidir o que fazer, diminuindo assim a possibilidade de rebeldia e confronto. Esta regra dá ênfase ao sujeito e não ao “código” (Foucault, 1984, in Figueira, 1987), sendo assim fundamental para o ideal de família igualitário. Há ainda um terceiro tipo de regra que consiste na regra de primeiro grau com conteúdo modernizado, ou seja, muda o conteúdo (de arcaico para moderno) mas o mecanismo continua o mesmo. Na modernização reativa o conteúdo “moderno” como reação ao conteúdo “arcaico” (este permanece inconscientemente), numa mudança apenas de conteúdos, onde o imaginário moral continua o mesmo, podendo sempre se manifestar, o que exige uma reatividade ainda maior. Deste modo, a verdadeira modernização seria aquela que transformaria, no interior do sujeito, regras do primeiro grau em regras do segundo, constituindo um processo de individualização.

Assim, diante da velocidade das transformações e da inércia da subjetividade o sujeito não consegue modernizar profundamente o seu funcionamento, limitando-se a atualizar o conteúdo do comportamento através da modernização reativa.

De acordo com o autor, como solução para o desmapeamento a modernização reativa tem uma ação positiva (produtiva) e uma negativa (supressora): a positiva leva os sujeitos à ilusão de que são apenas o que desejam ser; a negativa leva à supressão do arcaico, daquilo que não se deseja ser; a negativa leva à supressão do arcaico, daquilo que não se deseja ser.

Diante disso o autor conclui que não há uma “nova família brasileira”, mas sim uma família onde valores modernos convivem com valores arcaicos. Sendo assim, quanto mais harmoniosa for esta convivência, mas satisfatória será a relação conjugal e ou familiar.

Chaves (1997) afirma que existe, sim, no Brasil hoje uma nova família, mas esta tem com ponto de referência básica a família tradicional. Segundo ela, o processo de transformação que o modelo familiar tradicional vem sofrendo não significa que ele tenha se tornado inoperante ou falecido, o que de certa forma ratifica a teoria de Figueira.

Podemos perceber então que são muitas as razões para as dificuldades que o casamento vem enfrentando. E “enfrentar” é a palavra-chave, pois apesar de tudo as pessoas ainda optam em sua maioria por dividir sua maioria por dividir suas vidas com alguém, embora muitas destas uniões tenham adquirido formas alternativas. Como num movimento de auto preservação do casamento “persiste” promovendo as adaptações necessárias para sobreviver nas condições atuais.

 

 

 

 

 

 

Att:

Lúcio Silveira

silveirinhars@terra.com.br

MSN: luciusrs@hotmail.com

Skype: Lúcio Silveira

 

27 de abr. de 2009

Tudo Muito Rápido

A vida passa muito rápido. E as pessoas passam muito rápido pela nossa vida. Às vezes só percebemos isso quando já fomos separados das pessoas que mais ama-mos, sem que estivéssemos preparados pra perdê-las e sem que percebêssemos os quanto às amávamos.
Assistimos aqueles que amamos tomando rumos diferentes na vida, e percebemos que não podemos evitar certas despedidas. Assim como pedaços da nossa vida que vão ficando para trás. De repente, ou sutilmente. Amores que a gente vai perdendo, relacionamentos maravilhosos que acabam em um instante ou aos pouquinhos.  Histórias que terminam muito cedo, ou que não terminam bem. Não deixe para se arrepender depois que você não tiver mais tempo. Ou oportunidade de fazer alguma coisa por aqueles que você mais ama. Não deixe para descobrir o quanto você os ama quando não puder mais tê-los. Valorize essas pessoas e com elas faça de coisas simples, momentos inesquecíveis que irão uni-los pra sempre a qualquer distância. Mostre a elas que você as ama, porque gesto de carinho e palavras sinceras podem ser as únicas coisas que as farão lembrar-se de você para o resto da vida. Saiba perceber o que essas pessoas têm de melhor, faça com que elas mostrem isso e lhes ofereçam o melhor de si mesmo - você terá o amor delas em troca e isso será suficiente. Ria, chore viva intensamente. Não tenha vergonha de mostrar quem você é, porque só aquele que o aceitam exatamente como é que realmente o amam e tornam a sua vida melhor. Lembre-se que Deus lhe deu uma vida única, e nela colocou pessoas muito especiais, que precisam ser amadas por você. Ele continua colocando-as todos os dias ao seu redor, em qualquer lugar, nos momentos mais inesperados ou nos mais comuns. Essas pessoas podem passar minutos, dias, anos com você e você pode simplesmente deixá-las ir embora sem nunca descobrir os quão incríveis elas são e quanto poderia tê-las amado e ser amado por elas. Só você poderá descobrir quem são essas pessoas. Só você poderá deixar que elas o descubram. Descubra-as, e ame-as de coração. Antes de vê-las desaparecer, antes de não poder mais encontrá-las e mostrar o quanto se importa com elas. Essas pessoas especiais mudam a sua vida, e fazem com que ela valha à pena. A vida passa muito rápido. As pessoas passam muito rápidas, mas você ainda tem tempo para mostrar o quanto ama as pessoas mais importantes da sua vida, e pra descobrir o quanto pode amar algumas que nunca tentou!

 

21 de abr. de 2009

Como esquecer um grande amor!

É um grande amor acaba por muitos motivos. Acaba em dias de chuva, em tardes ensolaradas. Acaba a toda hora. Assim como quando um grande amor começa. Mas um grande amor nunca acaba de repente. Vai acabando aos poucos. Essa espera pelo fim definitivo de um grande amor maltrata a gente. Dói sem parar. Ainda mais quando era um amor honesto e verdadeiro. Há quem pense que é impossível esquecer um grande amor. Alguns já morreram tentando. E falam como Neruda: “tão curto o amor, tão longo o esquecimento”. Esquecer é difícil. Ainda mais esquecer coisas boas. Momentos felizes. Sorrisos. Aplausos. Aquela noite. O beijo. Aquela dança.
Para esquecer um grande amor é preciso começar evitando algumas músicas. Em especial aquelas que falam de amor, de sonhos ou aquelas que usam demasiadamente a palavra “você”. Porque pra esquecer um grande amor é preciso uma grande dose de individualismo. Tente não se lembrar daquela música, daquele dia, naquele lugar, que acabou se tornando a “nossa música”. Recomendo também evitar as músicas cantadas em italiano. Mesmo que você não suporte as canções italianas. Mesmo que você nunca tenha ouvido uma. Mesmo que você não entenda nada do que diz a letra. As canções italianas têm uma estranha ligação invisível com o amor. Então é melhor evitá-las. E pra matar sua curiosidade, as letras das músicas italianas são todas iguais.
Alguns lugares são pouco propícios pra quem tenta esquecer um grande amor. As praças geralmente estão infestadas de bancos onde umas legiões de namorados trocam beijos, abraços e qualquer outro tipo de carinho. É melhor passar ao largo. Vire o rosto. Se um casal vier em sua direção, não hesite, troque de calçada. Passe longe de cinemas fuja de sorveterias e em festas não chegue perto da barraca de maçã do amor.
Também é difícil de lidar com aquelas coisas que ainda lembram a outra pessoa. Aquele perfume que você comprou só porque ela gostava, e que nunca acaba. A camiseta que ela achava o máximo. A blusinha que você estava usando quando ele falou que você estava mais magra. Aquela corrente de prata com um pingente delicado de coração que você viu no shopping e achou que ficaria linda no pescoço dela, e ficou. Os discos, livros e filmes que vocês trocaram, ouviram e assistiram juntos. Enfim, tudo o que representou algo na história daquele amor que você achava que era pra sempre. Quanto a essas coisas ainda não há um consenso sobre o que fazer. Há os que preferem jogar tudo fora. Alguns devolvem. Outros simplesmente deixam de lado. Em qualquer uma das três opções estas coisas dificultam o esquecimento. Prepare-se para isso.
Também existem os amigos. O que fazer com os amigos? Se eles são amigos em comum é melhor evitá-los por um tempo. Principalmente o “casal de amigos com quem vocês jogavam boliche”. Faça novas amizades. Conheça gente nova. Encontre pessoas pra quem você não vai ter que contar tudo em detalhes e que, dificilmente, perguntarão sobre o outro. Se os amigos são apenas seus, avalie até onde você está sendo chato, porque todo mundo que sai de um grande amor vira um chato em potencial, e tente fazer novos programas com eles. Amigos são bons em nos fazer esquecer. Conte com eles. Mas não abuse.
As fotos. Caso você tenha receio em queimar, coloque todas as fotos em um envelope de papel pardo. Feche o envelope com cola e guarde no último canto, da última gaveta, do último balcão do sótão. Deixe a chave da gaveta em um lugar bem incomum, onde você nunca guardaria. De preferência esqueça esse lugar assim que puder. As fotos são cruéis. Algumas guardam nossa alma.
Destinos semelhantes merecem as cartas que vocês trocaram ao longo de todo esse tempo. São apenas palavras. Mas elas foram misturadas e colocadas de um jeito que destroem qualquer pessoa. E o pior é que muitas vezes foi você o responsável por deixar assim. As cartas são fragmentos de um contrato que não deu certo. Às vezes elas nos ajudam a entender. Às vezes elas machucam mais ainda. Depois que tudo terminar, leia todas ao menos uma vez. Então as deixe.
Existe muito mais a se fazer para esquecer um grande amor. Todas as outras coisas são tão difíceis como as anteriores. Um grande amor deixa marcas muito profundas. Algumas demoram a cicatrizar. Outras ficam abertas pra sempre. Certas pessoas nunca esquecem. Outras simplesmente apagam tudo. Algumas pessoas são inesquecíveis mesmo.
Às vezes, para esquecer um grande amor só outro grande amor. Senão for assim, agente nunca esquece. E grandes amores começam a toda hora. Em dias de chuva. Em tardes ensolaradas.

18 de abr. de 2009

Recadastramento de armas, 31/12/2009 última data.

NOVO PRAZO PARA RECADASTRAMENTO DE ARMAS - 31 DE DEZEMBRO DE 2009
O Congresso Nacional e o Governo Federal após longas tratativas entenderam que o recadastramento como foi feito no ano de 2008, não atendeu às necessidades do cidadão honesto, jogando na ilegalidade milhões de brasileiros que não conseguiram realizar o recadastramento de suas armas.
Com a Lei 11.922 sancionada pelo Presidente Lula e publicada no Diário Oficial da União de hoje, 14 de abril de 2009, o prazo passa a valer até o final deste ano.
Será com certeza a ÚLTIMA chance para todos aqueles que possuem uma arma de fogo fazerem valer o seu direito à legítima defesa mantendo dentro da legalidade a sua arma.
Pedimos para que cada lojista, cada proprietário, a ANIAM (Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições), O Ministério da Justiça e a Polícia Federal façam a sua parte para que todos os proprietários de armas de fogo possam realizar o seu recadastramento e assim manterem-se dentro da lei, garantindo o direito duramente conquistado no referendo de 2005.
Em breve a página do SINARM estará disponível para realização do recadastramento.

Transformar sua arma em uma arma ilegal e você em um "fora da lei" só interessa para aqueles que querem retirar esse direito. Não caia nesta armadilha. Mantenha-se na legalidade.

http://www.mvb.org.br/?mace2_cod=309&pess2_cod=1920&lenc2_cod=

Amigos,

Foi publicada hoje no Diário Oficial a Lei nº 11.922/09, que prorroga para 31.12.09 o prazo do recadastramento e da anistia de armas de fogo.

Assim, até o final deste ano, os possuidores de armas poderão legalizá-las através do recadastramento (para armas que já possuem Certificado de Registro) ou da anistia (para armas que não possuem Certificado de Registro).

O procedimento é o mesmo do último recadastramento, ou seja, pode ser feito pela internet e não há necessidade de pagamento de taxa, realização de exame e teste, apresentação de certidões negativas e declaração de efetiva necessidade.

Existem, aproximadamente, 14 milhões de armas que precisam ser recadastradas. Assim, como realizado no referendo, precisamos fazer uma grande mobilização! É necessário que seja legalizado o maior número de armas possível, para que os cidadãos de bem preservem o direito conquistado, em 2005.

Divulguem essa informação para amigos, familiares, vizinhos, etc. A Lei já está em vigor e o prazo não será prorrogado outras vezes, assim, está é a última chance para legalizar suas armas! Não percam esta oportunidade!

Nos próximos dias será lançada a Campanha Nacional do Recadastramento! Em breve daremos mais informações.

Abraços,
Equipe Superinformativo

10 de abr. de 2009

Amor na contemporaneidade.

O Amor na contemporaneidade.

Vimos que durante um longo período da história, o amor foi visto como um sentimento que surgia após o casamento, de modo que não possuía o caráter fundamental que ostenta hoje. Sendo assim, o casamento não acabava quando o amor terminava. A necessidade de criamos, hoje em dia, de unir amor e casamento gerou em nós expectativas que, segundo Jablonski (1991), estão fadadas à frustração. Para ele, o amor se tornou entre nós, ao mesmo tempo, fator de união e desagregação do casamento contemporâneo.

Talvez isso ocorra devido a uma supervalorização da cultura do chamado “amor-paixão”. Alguns autores destacam a existencia de dois tipos de amor: O amor-paixão e o amor-companheiro. No primeiro caso há. Alem da idealização do outro, atração visual, desejo de servir (ser servido), adoração, flutuação do humor, entre outros.

Esta tendência à idealização vai diminuindo com o amadurecimento, levando assim ao amor companheiro. A transformação em amor companheiro ocorre quando a relação permanece, de forma que sobressaem a ternura, a amizade, o companherismo. Mas esta “evolução” no casamento significa para muitos o fim do amor, pois estes não suportam a passagem da paixão para ocompanherismo. Entretanto, segundo o autor, é o amor companheiro que torna duradouro um casamento: “Se o amor-paixão faz, nos dias de hoje, ‘acontecer’ os casamentos, é o amor-companheiro que vai mantê-los” (p.77).

Vivemos numa época em que, ao mesmo tempo em que observamos certa descartabilidade nas relações, percebemos em contrapartida um grande investimento emocional nas mesmas. Existe atualmente uma ambivalência de atitudes no que diz respeito aos relacionamentos amorosos. Os novos arranjos tentam conciliar sentimentos duradouros com a fugacidade da vida moderna. Prioriza-se a qualidade e intensidade do relacionamento em detrimento do compromisso de perdurar enquanto casal até a morte.

A este respeito, Giddens (1993) enfatiza dois aspectos. Um deles se refere ao fato de as pessoas se utilizarem cada vez mais do termo relacionamento – e não namoro ou casamento – para designar o vinculo que as ligam a seus parceiros. Essa mudança, que é sem dúvida bem mais do que terminológica, denota as transformações por que passa o casamento e uma série de outras situações nas quais as pessoas, associadas umas às outras por vínculos emocionais próximos e continuados, só mantêm seu relacionamento enquanto ambas as partes considerarem que extraem dele satisfação suficiente, para cada uma individualmente.

O tipo de amor em questão é confluente e não mais romantico. O autor define como confluente esse tipo de amor que volta-se para a busca de um “relacionamento especial”, e não de uma “pessoa especial”. Nessa busca, o fator preponderante não é a consideração o cuidado ou a referencia à pessoa amada, mas a preocupação com a relação, que, submetida a um processo constante de negociação e de construção, merece cuidados especiais. O relacionamento erótico-afetivo só é mantido enquanto cada um dos parceiros obtém um certo grau de benefícios que justifique a sua continuidade.

O amor confluente presume igualdade na doação e no recebimento emocional de modo que só se desenvolve até o ponto em que cada parceiro está preparado para manifestar preocupações e necessidades em relação ao outro e está vulnerável a este outro.

Este tipo de amor também traz para o cerne do relacionamento a importância do erotismo, do prazer sexual como elemento essencial para a manutenção ou a dissolução da união. Assim, cada vez mais os casais recorrem a fontes de informação, aconselhamento e treinamento sexual como forma de se manterem atualizados, e como isso serem capazes de proporcionar maior satisfação para o outro e para si mesmos.

Giddens (op.cit) considera que atualmente os ideais de amor romântico tendem a se fragmentar diante da pressão da emancipação e da autonomia sexual feminina. Este tipo de amor dependeria da identificação projetiva, característica do amor-paixão, como fator imprescindível para que os parceiros sintam-se atraidos e desejem se unir, criando assim uma sensação de totalidade com o outro. No entanto a identificação projetiva não seria compativel com o desenvolvimento de uma relação que dependa da intimidade para ter continuidade.

Deveres e obrigações ligados ao casamento tradicional heterossexual indissoluvel são descartados como retrogrados e postos em dúvidas, assim como a idéia de que o amor seria o componente básico e essencial ao exercicio da sexualidade plena. Amor e sexo não mais caminham, necessariamente, lado a lado. Hoje muitos jovens optam pela coabitação em detrimento do casamento por acreditarem que a falta de compromisso, a ausência de delimitações legais da relação é o que garante a sua qualidade.

O que há algumas décadas poderia caracterizar-se como permissividade sexual, hoje é visto como liberdade de escolha, independência, especialmente para as mulheres, que ainda lutam para consolidar sua emancipação e autonomia sexual. A possibilidade de as pessoas se unirem e de manterem unidas em decorrência única de elos subjetivos ligados ao desejo é tida como um direito inquestionável do individuo, cuja fidelidade maior situa-se na relação que ele mantém consigo mesmo, com seus prazeres, sua felicidade e seu bem-estar pessoal.

Mas, apesar de tudo isso, não são poucos os jovens que ainda buscam uma união legitimada civel e ou religiosamente. Chaves (1997) afirma que a família e o casamento continuam sendo pontos de referencia básica, e que, paradoxalmente, nunca mais a familia e o casamento serão experiências vividas da mesma forma como foram no passado.

Para ela, ao mesmo tempo em que o ideal igualitário da sociedade moderna trouxe para os indivíduos um sentimento de liberdade, o enquadrou dentro de outras normas e valores. As formas de poder não teriam deixado de existrir, e sem se deslocado de instâncias visiveis para outras relativamente invisiveis.

“O ideal do casamento moderno é a intimidade psicológica total. A percepção de que o outro é deferente, dotado de uma individualidade própria, e o respeito mútuo são condições imprescindíveis para a existência do casamento. É necessário que haja amor, companherismo, bom relacionamento sexual, compreensão, autonomia, capacidade de estar só e de auto-observação, estabilidade, confiança, sinceridade, honestidade e autenticidade. Demonstrar o amor é uma necessidade imperiosa, assim como compartilhar o cotidiano” (Chave, 1997,p.28).

Aquilo que a autora chama de “casamento confessionário” gera no casal muitas expectativas, assim como impõe uma relação de intensa intimidade que prevê um alto grau de auto-revelação de ambas as partes. E este “dever” de “se dar”, se mostrar, acaba por produzir uma situação paradoxal: as fronteiras individuais tendem a se desfazer ao mesmo tempo em que sentem casados à maneira indicidualista. A obrigadoriedade da intimidade às vezes atrapalha regras básicas de convivência, podendo acarretar num esgotamento da relação. O ideal contemporâneo de casamento prevê uma entrega total do individuo, o que além de gerar expectativas e idealização do outro, pode produzir uma sensação de esvaziamento, provocando assim tensões e conflitos na relação conjugal.

Segundo Chaves (op.cit), os relacionamentos amorosos de hoje têm como requisitos indispensaveis o desejo, a verdade, e a individualidade. O que determina a escolha do parceiro ou a permanência na relação são a vontade e o desejo, ambos bem claros.

A preocupação com o próprio prazer se sobrepõe ao investimento no outro e a sensualidade do corpo é muito valorizada. A qualidade das relações também é muito importante, visto que atualmente elas mantêm-se somente enquanto prazerosas e úteis para ambos.

Mas somados à valorização da vontade própria e da individualidade existe um desejo de estar junto, de casar, conviver, se unir a alguém, neste sentido,
Féres Carneiro(1998) chama a atenção para “o difícil convívio da individualidade com a conjugabilidade” já que muitas vezes parece que uma tende a anular a outra. Ao mesmo tempo em que os ideais individualistas estimulam a autonimia dos cônjuges, valorizando o crescimento e o desenvolvimento de cada um, existe também uma necessidade de vivenciar a conjugalidade, a realidade comum do casal, os desejos e projetos conjugais.

Féres-Carneiro (op.cit) afirma que todo casal precisa conciliar em sua dinâmica duas individualidades e uma conjugalidade, pois são dois sujeitos com todas as suas vicissitudes e histórias individuais convivendo com um desejo conjunto, uma história de vida conjugal, um projeto de vida do casal. O casal cria assim um modelo único que define a sua existencia enquanto tal, identificados pela autora como “identidade conjugal”.

Ao estimular a autonomia do indivíduo, a família cria uma contradição entre a negação e a valorização de laços de dependência, o que acaba ocorrendo também no laço conjugal, onde, segundo a autora, “é preciso ser ‘um’ em sendo ‘dois”. Assim os relacionamentos conjugais nas sociedades ocidentais modernas são mais valorizados e priorizados que as relações sociais e familiares mais amplas.

Investigando as expectativas e visões de mundo de homens e mulheres em relação à constituição de modelos de casamento e de família, Jablonski (2003) CONSTATOU que a sociedade age de forma ambivalente. Os estimulos são ao mesmo tempo de união amorosa e de ruptura dos laços. A exaltação de um estilo de vida altamente individualista é incompatível com o espírito do “familismo”. Assim, os apelos ao novo e à descartabilidade confronta-se com a noção de comprometimento inerente à opção de quem quer se casar.

Ao discutir os limites da individualidade nas relações amorosas, Magalhães (1993) destaca que a sociedade moderna está vivendo – em termos psicanalíticos – a “era do narcisismo”, marcada pelo culto ao ego: “O casal moderno privilegia a multiplicação de ensaios, busca da unidade perfeita ao invés de submeter-se ao compromisso da longevidade. Na medida em que caíram por terra os imperativos sociais, econômicos e religiosos que favoreciam a duração e a indissolubilidade, o amor passa a comandar a vida a dois” (magalhães, 1993, p.59).

A autora observou que o discurso do ideário igualitário se manifesta de maneiras deferentes de acordo com a faixa etária. Mais atingidos pela aceleração do processo de modernização em fases ainda precoces do seu desenvolvimento emocional-afetivo, os mais jovens apresentam um discurso mais marcado por valores individualizantes e, consequentemente, sofrem os conflitos e ambivalências resultantes da coexistência de valores modernos e arcaicos.

Magalhães (op.cit) afirma que o casamento moderno, marcado pelo individualismo, privilegia o prazer. Os jovens casais definem o casamento com base no aumento da convivência, enfatizando a satisfação individual dos cônjuges e o prazer “a dois”, assim como a privacidade. No casamento moderno os filhos são vistos como obstáculos à privacidade conjugal.

Existe maior valorização e discriminação dos projetos individuais nos casais mais jovens, de modo que o crescimento profissional dos sujeitos tem grande influência na relação. O casamento também é visto muitas vezes como um empecilho ao desenvolvimento profissional dos parceiros. Normalmente a contrinuição nas despesas é proporcional ao ganho de cada um.

A autora observou em suas pesquisas a grande importância dada pelos sujeitos à liberdade e à fidelidade. Ninguem abre mão da exclusividade do parceiro, e nos casais mais jovens a liberdade para permanecer ou não na relação é confrontado com declarações de insatisfação dos sujeitos no que diz respeito às relações sociais do parceiro com pessoas do sexo oposto.

Magalhães (1993) considera que a excessiva preocupação com o prazer individual na sociedade moderna favorece a falta de sintonia entre os parceiros. Enquanto as mulheres enxergam no aumento da intimidade um fator de melhoria na vida sexual, os homens consideram exatamente o oposto: o excesso de intimidade provocaria o desinteresse sexual.

Existe ainda um desconpasso no que diz respeito à introjeção dos valores individualistas. As mulheres teriam sido mais atingidas pelo processo de modernização, talvez pela necessidade de se igualar ao homem, de modo que hoje elas se apresentam mais identificadas com os valores individulistas, enquanto os homens se apegam mais aos valores hierárquicos.

Constatamos assim que a convivência de valores igualitários e hierárquicos provocam certa descontinuidade, principalmente entre os mais jovens, causando conflitos e ambivalências. Os valores introjetados precocemente pelo sujeito não acompanham a velocidade do processo de modernização, ainda que o discurso individualista esteja presente.

Bauman (2003) também ressalta a liquidez e a fugacidade das relações contemporâneas. Ele afirma que para muitas pessoas o amor é um acontecimento recorrente, ou ao menos aquilo que elas julgam ser amor. Enquanto vivem uma relação de amor, essas pessoas tem plena consciência de que outras virão, de modo que continuam, de certa forma, “abertas” a novas possibilidades. Assim, a noção de “amor eterno” caiu por terra, do mesmo modo que o padrão das experiências chamadas amor. A expressão “fazer amor” é hoje utilizada para designar até mesmo uma eventual noite de sexo.

Assim sendo, passamos a acreditar que amar é uma habilidade que pode ser adquirida e até aperdeiçoada com a prática, de modo que cada experiência pode ser melhor que a anterior. Para o autor, esta é uma ilusão, pois experiências sucessivas de relações amorosas não levariam a um aprendizado do amor, mas ao contrário, aperfeiçoariam as habilidades de “terminar rapidamente e começar do início outro”. O amor não comporta regras invariáveis, pois os relacionamentos se dão num espaço instável, o que torna a repetição de bábitos inútil, quando não desastrosa.

Bauman (op.cit) destaca o caráter criativo do amor. Amar é reconhecer a liberdade incorporada no outro, o desconhecimento do futuro, o que requer coragem e humildade, tornando tal habilidade rara em uma sociedade imediatista e consumista como a nossa.

A estreita relação do amor com o padrão e com o mistério faz com que as tentativas de posse, de poder, de fusão sejam mortais para este sentimento. Mas infelizmente essas inclinações caminham lado a lado com ele. O amor não suporta o misterioso encantamento do outro, então precisa subjugá-lo, e quando consegue, o encantamento se esvai. “Eros move a mão que se estende na direção do outro – mas mãos que acariciam também podem prender e esmagar” (p.23).

As diferenças pessoais são um fator que, invariavelmente, gera conflitos para o casal. O ser amado é comparado por Bauman (op.cit) a uma tela, onde o sujeito busca pintar e retocar até que a pintura se revele um retrato do próprio pintor. Assim, a adoração do ser amado se aproxima da auto-adoração.

O autor compara o objeto do amor a um bem de consumo. Assim como os impulsos, inclusive aqueles que nos levam a consumir, as relações modernas têm declaradamente um caráter transitório. Nada do que ocorrerá neste curto espaço de tempo trará consequências duradouras o suficiente para influir numa relação futura. E tal qual acontece com os bens, o objeto amaroso é trocado logo que aparece outro mais “moderno” ou “atraente”.

O relacionamento é visto também como um investimento. Como tal, ele possui riscos e almeja algo em troca: o lucro, que viria sob a forma de amor, companheirismo, ou seja lá o que esteja buscando. No entanto este lucro nunca é garantido. Sendo assim, a promessa de compromisso, que sofre a influência de vários fatores no relacionamento, torna-se-ai irrelevante a longo prazo. O questionamento acerca da escolha certa se faz então inevitável.

A pessoa precisa estar sempre vigilante. Para o autor, estar num relacionamento significa uma incerteza permanente.

Visando pôr fim à insegurança trazida pela solidão, a busca de um relacionamento acaba, portanto, acentuando o sintoma.

Para Bauman (2003), as relações de curto duração são altamente prazerosas porque trazem o conforto de não exigirem dedicação nem comprometimento. São acima de tudo convenientes. O pouco investimento emocional faz com que as pessoas sintam-se mais seguras, menos expostas.

Ao traçar parâmetros definitórios para as relações afetivas, Puget e
Berenstein (1993) fazem uma análise dos diferentes tipos de vínculos que unem duas pessoas. Com base nesta análise poderíamos dizer que as relações prevalecentes na atualidade se aproximam mais do que eles chamam “vínculo de amantes”, definido como “a relação amorosa exogâmica entre dois egos, hetero ou homossexual, com negação e/ou recusa de enquadramento matrimonial” (p.14)

Segundo eles, este tipo de vínculo não tolera projetos implicando futuro e tem como vantagem a possibilidade de recriar ilusoriamente uma vivência de incondicionalidade. Sem a estabilidade trazida pela cotidianidade – Paramêtro definitório que caracteriza o vínculo matrimonial, que se refere ao tipo de estabilidade baseada em uma unidade temporal e espacial caracterizada pelos intercâmbios diários – fixa-se a ilusão de um prazer permanente, livre de obrigações.

No caso dos relacionamentos conjugais, oficializados ou não, a consciência da fragilidade do vínculo de afinidade, ao contrário do vínculo de parentesco, preocupa e traz o peso da responsabilidade. A qualquer momento podem surgir dúvidas quanto à opção feita. A escolha requer reafirmação diária a fim de se manter a afinidade. E essa dedicação e esforço de reafirmação são preços que muitos preferem não pagar.

A emergência de uma sociedade individualista trouxe encargos que transformaram os relacionamentos conjugais quase que num desafio. É interessante perceber que, mesmo que isso cause muito temor, também instiga, como se o grande atrativo fosse justamente a superação das adversidades. Esta tendência a ir de encontro ao conformismo que poderia resultar das dificuldades, aparece quando abservamos o surgimento de variadas formas de relacionamento amoroso.

A maneira como encaramos o amor atualmente é claramente distinta de outras épocas, distinta inclusive de acordo com a cultura. Quando voltamos no tempo para buscar referência a respeito deste sentimento em sociedades mais antigas, não é fácil encontrarmos, fora das expressões artisticas, dados sobre o relacionamento íntimo do casal, aquilo que hoje chamamos de “envolvimento psicológico”, de maneira que muitas vezes recorremos à dedução a partir de outras informações obtidas, o que não deixa de ser coerente. Mas quando falamos a respeito de outras culturas, em outras épocas, precisamos relativizar conceitos que para nós, atualmente, são bem mas concreto. Ao afirmarmos que não existia ou não existe amor nos casamentos em determinada sociedade, de que conceitos de amor estamos tratando? Vimos aqui que a ascenção do individualismo, bem como a industrialização, dentre outros fatores, trouxeram mudanças bastante profundas para as relações sociais, mudanças que já iam sendo processadas, mas que num curto período de tempo intensificaram-se.

Assim, o amor adquiriu, entre nós, características impensáveis tempos atrás, podendo até mesmo reunir em uma só relação aspectos contraditórios, anteriormente atribuídos somente às relações conjugais ou somente às extraconjugais. Conforme afirma
Guby (1991) as maneiras de amar assim como as relações entre o masculino e o feminino já não são as mesmas.

Mas ao mesmo tempo, é possível perceber no amor contemporâneo traços já vistos em outros tempos, o que nos leva a crer que, apesar de ter adquirido uma configuração aparente do passado, conjugando-as com novas normas e valores. E este amor é por nós supervalorizado a ponto de considerarmos qualquer variação a tal modelo como ausência do mesmo. Podemos então citar, no outro extremo, Bottéro (1991), segundo o qual, o amor e a sexualidade estão inseridos na nossa natureza mais profunda e primária, de modo que cada cultura os apresentam à sua maneira.

Quanto ao futuro dos relacionamentos, Jablonski costuma dizer que estamos caminhando para os chamados “casamento seriais”, ou seja, para uma época (não muito longe) em que as pessoas se comprometerão em seus relacionamentos, mas somente por um período, após o qual poderão se dedicar a um novo relacionamento, também temporário, e assim sucessivamente. Isso não significa necessariamente uma diminuição da intensidade do envolvimento emocional, conforme foi visto. Ao que tudo indica, esta é mais uma forma de adaptação necessária aos novos tempos. Só não sabemos até quando o amor continuará a mantes o status de condições para o casamento, uma vez que o desenvolvimento das relações sociais no curso do tempo segue movimentos cíclicos, como foi possivel constatar.

5 de abr. de 2009

Sexo, Casamento e Religião.

O casamento acabou? A crise do casamento e a família contemporânea.

Pequena historia do amor no acidente.


A partir da análise do texto bíblico, observa-se que a sexualidade foi descrita, como desejada por Deus, criada como algo bom (Antigo Testamento). Considerada pelos Hebreus um direito divino, o casamento apresentava uma obrigação moral, que tinha por objetivo gerar filhos e satisfazer as necessidades sexuais. No entanto, a maneira como a sexualidade era abordada pelos cultos pagãos da época fez com que os chefes religiosos de Israel limitassem e condenassem certas práticas, como o homossexualismo e o travestismo, como por exemplo.

O sexo estava sempre ligado à reprodução. Os Hebreus se casavam ainda muito jovens e a escolha dos cônjuges era feito pelos pais do noivo. De onde podemos supor, que o casamento e o sexual tivessem dissociado do amor. No entanto, aos homens eram permitidas as praticas como a poligamia e a concubinagem, de modo que, eles podiam vir a desenvolver sentimentos profundos de amor e prazer sensual oriundos dessas relações, ao passo que, no casamento o sexo se limitação à função reprodutora. Como em qualquer sociedade que se preocupa com a linhagem familiar, a conduta da mulher era controlada. Entretanto, a mulher não era subjugada.

Na Grécia Clássica, os casamentos eram arranjados pelos pais. O noivo pagava determinado preço pela noiva, (que geralmente, só viriam a conhecer na noite de núpcias). E eventualmente eram escolhidos, após derrotar candidatos, “mais fracos” e ou sem “coragem” em torneios promovidos pelo futuro sogro.

Os homens tinham acesso a educação formal, assim como atividades artísticas e esportivas, ao contrario da mulher que tinha que deveria ficar confinada em casa, desde o nascimento até o casamento, até mesmo os afazerem domésticos eram realizados por escravos. Talvez devido a esse despreparo, tais mulheres tenham se tornado desinteressantes para seus maridos, o que faz com que, a união entre amor e casamento entre os gregos naquela época nos pareça improvável. Havia também a separação entre sexo-reprodução e sexo-prazer. Para os gregos o amor só era possível entre pessoas iguais, ou seja, da mesma classe social, do mesmo nível intelectual e inclusive do mesmo sexo. A relação homossexual não carregava o tom pejorativo que traz até hoje nas mais variadas culturas. Ao contrario, era considerado normal que um homem viril e educado se relacionasse com um rapaz, (os rapazes jovens e dotado de invejado porte físico, representavam o ideal de beleza, e também acreditava-se que todo corpo belo continha uma bela alma), a quem deveria ensinar e inspirar. A homossexualidade concretizaria, assim, a função entre os prazeres corporais e o amor puro e apaixonado. A segregação dos sexos foi outro fator que certamente contribuiu para a alta taxa de homossexualismo da época.

Também em Roma antiga, era o patriarca quem decidia com quem os filhos deveriam casar-se, e os homens tinham plenos direitos sobre a esposa. Na religião Romana, o sexo era visto como natural interessante e aprovado pelos deuses. O casamento não requeria sansão religiosa ou governamental, configurado uma questão pessoal, de modo que parecia mais provável que os romanos conseguisse aliar amo e casamento. A pesar de a mulher ter conquistado certas liberdades pessoais e os romanos serem rigorosamente monógamos, vigorava ali um padrão de dupla moral. O homem que apanhasse a mulher em adultério poderia matá-la impunemente, ao passo que a ela não era garantido ao mesmo direito.

Com a decadência do Império Romano, o cristianismo foi obtendo a sua ascensão, o Novo Testamento privilegia o Celibato, ao contrario do Antigo. A virgindade, que até então só era importante antes do casamento, passa a ser exaltada, tanto para os homens quantos para as mulheres. Assim, as relações sexuais deveriam ter por finalidade única a procriação. Dentro do casamento a sexualidade era vista, como um bem necessário a procriação, mais transformava-se num mau, quando maculada pela concupiscência (procura do prazer). Para mim nessa pesquisa, o Celibato de Cristo e a virgindade de Maria, são exemplos de tamanha exaltação da castidade.

Lembro ainda, uma sociedade onde os indivíduos eram permitidos entregar-se ao amor e aos desejos, onde cultuavam-se o luxo, a nova religião foi conquistado seu espaço, inexplicavelmente, escarnecendo e castigando os prazeres, negando o direito ao amor carnal e exaltado a humildade e a pobreza. Para mim, é exatamente ai que se encontra a explicação (segundo Hun, 1960 e Soss 1983), esta conversão se deu, devido o desgaste que o erotismo pagão havia sofrido ao longo dos séculos. Em virtude dos excessos característicos, a vida familiar sofreu uma desintegração que teria deixado o povo sem um sistema satisfatório de vínculos afetivos. Entregues ao isolamento e a frustração emocional. E foi então diante desse cenário propício que a moralidade Cristã exerceu sua influencia sobre o amor e a moralidade sexual.

Uma vez que a decadência da sociedade Romana fora atribuído a castigo divino, a vida luxuosa, aos prazeres sensuais e os divertimentos ficaram então ligados ao pecado e ao castigo. É curioso que até mesmo doenças como a lepra foi relacionada aos comportamentos pecaminosos. Goff (1961) Conta em seu livro, que segundo Teólogos da época, os leprosos nasceriam de maridos que não sabiam conservar sua castidade nos dias que não eram propícios e nas festividades.

Até o século X a benção nupcial, não era considerada uma obrigação para os cristãos. O casar pela igreja só se tornará pratica corrente a partir do século XIII. E foi a igreja que acentuo a necessidade de consentimento livre dos noivos.

A vida sexual conjugal também sofreu intervenção da igreja, que restringia ao máximo as possibilidades para o coito, restrições que iam desde o estabelecimento de dias próprios e horários, até a indução ao comedimento na expressão do amor. A monogamia era tida como a única forma aceitável de casamento e o adultério tornou-se igualmente punível para homens e mulher. O concubinato fez-se inaceitável e a indissolubilidade se confirmou (No concilio de Catargo 407 d.C).

A igreja conseguiu assim, unificar costumes de deferentes culturas – casamento monogâmico, indissolúvel, fundamentado no consentimento recíproco e integrando-os no seu modelo ideal de vida e felicidade.

Considero ainda que a doutrina cristã, do casamento e da sexualidade tenha aperfeiçoado “a natureza bárbara do homem” fazendo-o voltar-se para o amor altruísta, e proporcionando maiores oportunidades a mulheres, ao atacar o duplo padrão moral sexual. Do ponto de vista negativo teríamos as medidas muito restritivas no que se refere ao corpo, ao prazer e ao sexo. E infelizmente, a conseqüência de tais medidas tem ressonância ainda nos dias de hoje.

Encontrei ainda que no inicio da Idade Média a vida sexual acompanhava o clima de caos político que se estalará na Europa Ocidental. Eram comuns estupros e prostituições, e foi então que a igreja se tornou uma aliada politicamente útil a manutenção da estabilidade social.

Apesar da igreja ressaltar a importante do consentimento dos noivos, o casamento ainda representava um contrato comercial destinados a fortalecer alianças, oferecer segurança econômica, filhos e alivio da tensão sexual, e continuavam a ser arrumados pelas famílias.

No final da Idade Média, havia uma diferença essencial entre as sociedades Noroeste da Europa, berço da futura revolução industrial, e as outras. Ali a idade do casamento era tardinha, (às vezes depois do 25 anos), diferentemente da grande massa da população, onde o casamento seguia normalmente depois da puberdade, o que faziam os jovens até a idade de se casarem? Aparentemente segundo minha pesquisa, nada. Os registros de nascimento ilegítimos eram muito raros.

Por volta do final do século XI, foi se estabelecendo novo tipo de relação entre o homem e a mulher, o amor cortesão, que começo como a expressão de um mero amor literário, e posterior influenciou as maneiras sociais da época. Como o movimento literário teve inicio com os poetas e nobre do sul da França. Espalhando em seguida pelas nações adjacentes. Os homens começaram a cultivar a arte do conto, da dança e da composição, os banhos se tornaram mais freqüentes e as roupas mais sofisticadas. As conversações mais gentis e galantes. Tudo pra agradar as damas. O amor cortesão era exaltado principalmente pelos compositores e trovadores. Através de poemas e canções que afirmaram o poder enobrecedor do amor. A elevação da amada a uma posição superior ao do suplicante, a idéia da paixão e do amor como forma ideal de felicidade e realizações. Era um amor que celebrava a abstinência. Os amantes perfeitos deveriam contentar-se em servir sua dama. Deveria agradá-la. amá-la. exaltá-la e, em troca, teria dela o apreço por seu comportamento. E somente isso. O sexo na era permitido.

De acordo com a pesquisa que fiz. O nascimento do amor cortesão Idade Média, não significa que o sentimento amoroso fosse desconhecido de outras civilizações. Eles teriam constituídos por elementos inerentes ao seu meio de origem e às sociedades vizinhas.

Solé conta ainda que a doutrina do amor cortesão teve declínio a partir do século XIII ao século XIV, em conseqüência da dupla investida da igreja romana e do feudalismo Francês. “para os católicos a erótica do amor cortês, representava evidentemente uma heresia”. Para a igreja era importante combater a exaltação do amor extraconjugais.

Socci, (1983), revela que no final do século XV e no inicio do século XVI, o conceito de mulher se tornaria dualístico. Ela passará a ser dama ou feiticeira, virgem abençoada ou Eva pecadora, objeto de adoração ou luxuria abominável, e assim temida. Nessa cisão esta implícita a tensão entre a religião e os interesses da nação e humanístico. Em meados do século XVI a mulher acendeu politicamente, teve mais acesso a educação intelectual e artística. Tornando-se assim mais atrativa, a cisão foi então se transformando em síntese, fundindo assim os dois aspectos da natureza feminina. O impulso romântico passou, a partir de então, a levar ao casamento. E a aliança entre amor e o casamento não se deu somente entre aristocratas e intelectuais, mas também entre a classe média. Desta forma o casal não apenas fundamentava sua união de produzir descendentes ou cooperar economicamente, mas também para gozar o companheirismo, a amizade e a paixão.

Na passagem do século XVI para o XVII, o sexo deixou de ser tão pecaminoso e repulsivo, podendo assim ser associado ao amor do casamento.

Na segunda metade do século XVI, o consentimento paterno deixou de ser necessário, bastando somente o consentimento dos noivos. Mas para a igreja, a sexualidade passava a estar ligada a reprodução e o prazer sexual era ainda pecaminoso, a liberdade de escolha dos cônjuges, significou que a compatibilidade psicológica ia sendo aos poucos, aceita como requisito básico para o casamento, assim o adultério e a traição passaram a ser menos tolerados na relação.

Por volta do século XVII e XVIII a mulher começou a acender legal e socialmente, os avanços tecnológicos trazida pelas descobertas cientificas, levaram a um aumento do racionalismo, enquanto a teologia decaia. Diante desse cenário, o amor romântico, sofredor, idealizador, parecia ridículo, afirma Socci. Entre os aristocratas, a emoção perdia terreno, em seu lugar o prazer deveria ser elevado e a dor reduzida. Nas classes mais elevadas, buscava-se o prazer desvinculado do afeto e do matrimonio, por isso que era muito comum que tivessem amantes.

Já entre a pequena burguesia, cujo os casamentos não se realizavam por interesses comerciais, eram a afinidade do amor que orientavam os relacionamentos, nesses casos eram pouco freqüente as relações extraconjugais. A esposa ajudava seu marido em seu oficio ou trabalho, a mulher iria conquistando maiores direitos e até então poucos mencionados, pela “compatibilidade psicológica” configurou motivação suficiente para um novo casamento depois do divorcio, ao lado do adultério e do abandono.

Algumas transformações político-econômicas no final do século XVIII e no inicio do século XIV, trouxeram um declínio da razão, bem como do controle das emoções. A sensibilidade estava em alta, e trazia consigo a polidez, a decadência física e a exibição de um linguajar subjetivo e rebuscado. O amor era considerado uma força poderosa e uma finalidade nobre da vida. Havia um timidez característica, principalmente entre o sexo oposto, mesmo os homens fugiam a sexualidade, assim como apreciavam a mulher acanhada e casta, a essa modificação nos idéias sociais denominou-se ROMANTISMO:

“MOVIMENTO LITERÁRIO, POLITICO E SOCIAL, CARACTERIZADO POR ELEMENTO COMO PROTESTO, (CONTRA A TIRANIA DA RAZÃO, A MORAL VIGENTE, A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL, MALES DA SOCIEDADE), A BUSCA DA NATUREZA, A VALORIZAÇÃO DA SENSAÇÃO E DA EMOÇÃO, O AMOR AO PASSADO, AS TERRAS DISTANTES E EXOTICAS, A BUSCA DA MORTE POR AMOR, (Socci, 1991. P.30).

O romantismo assim como o industrialismo, consolidou o conceito de “mulher-galinha”, “fraca, teimosa, ansiosa de amparo por parte de uma espécie robusta tipo homem (Idem p.30) Ao perder suas funções no lar, a mulher se tornava menos útil, de modo que foi necessário, desenvolver outras maneira de conquista, como lisonjear o ego através da proclamação de sua fragilidade e dependência. Mudou também o ideal de conduta masculina, que passou a de um marido devoto e caseiro.

A Era Vitoriana trouxe uma veneração exagerada da vida domestica e a domesticação do amor romântico. O lar estabelece como o lugar da paz, do abrigo, de conforto emocional. Assim, o amor da mulher foi reconhecido novamente como fonte de valor ético. Para esses homens o aperfeiçoamento ético viria através do amor conjugal. A mulher deveria ser imaculada e impecável. E esta excessiva preocupação com a sua respeitabilidade, afirma a autora, teria contribuído para a formação de numerosos novos tabus.

O ato sexual, mesmo dentro do casamento, era considerado repulsivo e indecente. O homem deveria manter sob controle seus sentimentos “inferiores”, o que não representaria problema para a mulher, pois acreditava-se que somente as prostitutas sentiam desejo sexual, o que era considerado, até mesmo por ginecologistas renomados, patológico na mulher. A qualidade do amor nos casamentos vitorianos era, portanto, dessexualizada. “quando os homens queriam paixão, pagavam por ela, sustentando a amante ou procurando a prostituta” (Socci, 1991. P.57).

Apesar de enaltecer o sentimento domestico, o casamento na Era vitoriana não poderia ser traduzido, portanto, como modelo de felicidade conjugal.

Já no final do século XVIII e inicio do século XIX, era possível perceber um descontentamento, por parte de alguns, com a subjugação das mulheres e com o casamento burguês. Em Nantes, os prazeres do amor servil já não atraiam tanto, de forma que houve uma tendência a se “substituir” a relação de domínio do marido sobre sua esposa por uma relação mais intensa, “apimentada pelo sentimento”, e para isso os homens utilizavam-se de mulheres “por conta”. E as autoridades urbanas tinham consciência do utilitarismo da concubinagem e das casas de prostituição, visto que estas eram consideradas “exutórios indispensáveis às paixões masculinas contrariadas pelas estratégias matrimoniais”

“A teoria cientifica que então se contrapõe ao orgasmo feminino no seio da união conjugal, o angelismo romântico que tende a fazer esquecer à jovem burguesa que ela tem um corpo e o progresso que constituía, no seio desse mesmo meio, a intimidade de um lar centrado na educação dos filhos favorecem a proliferação desta sexualidade ilegítima, sem dúvida mais enganosa, tolerada, mas mais ou menos discretamente vigiada pelas autoridades e pela opinião pública” (Corbin, 1991, p.147).


No decorrer do século XIX, foi aumentando o numero de pessoas que lutavam em favor de maiores direitos para a mulher, em prol de sua emancipação. Temos como exemplo as comunidades owenistas e fourieristas na primeira metade do século XIX nos EUA, que procuravam conciliar o comunismo, o livre pensamento religioso e o casamento igualitário, misturando o radicalismo econômico a experiências modificadoras das relações no amor e na vida conjugal.

Apesar das resistências, os movimentos em prol dos direitos femininos foram ganhando força. As mulheres foram aos poucos se livrando de sua vestimenta pesada, passaram a praticar esportes e conquistaram privilégios econômicos. Com a saída da mulher para trabalhar fora de casa abrir-se a possibilidade de que a vida profissional a realizasse mais do que o casamento. Assim, sustentando-se através do próprio trabalho, poderiam fugir de casamentos infelizes e sem amor. O “amor vitoriano” já não se sustentava: “talvez o amor vitoriano tenha sido uma desesperada defesa de retaguarda contra as mudanças inevitáveis provocadas pela civilização industrial”. Ao mesmo tempo em que representava uma forma de amor interessada na preservação da família e da estabilidade da sociedade, foi possível encontrar no amor vitoriano aspectos que não eram indicadores de felicidade. Um exemplo disso é o descontentamento inerente aos primórdios do movimento feminista. A sensualidade eclodia em movimentos como o naturalismo – realismo, na literatura que também acusava a decadência e a perversão.

Para além da literatura, houve notável aumento da prostituição, já que as mulheres trabalhadoras eram mal remuneradas, e por isso muitas contavam com outras fontes para sobreviver. Incluem-se neste rol as empregadas domesticas, governantas e costureiras que precisavam se submeter aos caprichos dos patrões para não perderem o emprego.

O aperfeiçoamento dos métodos contraceptivos, já na segunda metade do século XX, teria consolidado a emancipação feminina. A mulher não mais precisaria abandonar suas aspirações profissionais em função do casamento e as tarefas domesticas começam a ser divididas entre o casal. Tal emancipação teria, então, favorecido o desenvolvimento de uma relação mais igualitária entre os sexos.

Citando Hunt, que chama a nossa era de “A idade do amor”, Socci (1983) ressalta o quando o amor é, hoje em dia, exaltado, sendo cantado, representado, retratado, noticiado, enfim, configurando uma “condição ‘sine qua non’ para uma vida feliz” (Hunt, p.321, In Socci, 1983).

Este amor proclamado por homens e mulheres na atualidade procura combinar o desejo sexual, a amizade afeiçoada e as funções procriadoras da família. A escolha do parceiro passa a ter como critério a atração romântica, e é esperado que a ternura, a excitação e o mistério coexistam com a rotina domestica e os cuidados com a prole.

Para Socci (OP.CIT), estamos vivendo uma era de contradições. Ao mesmo tempo em que glorificamos a síntese do amor com o sexo, contribuímos, com o auxilio dos meios de comunicação de massa, para uma banalização da sexualidade, de forma que a sedução se sobrepõe à camaradagem, ao companheirismo e ao amor.

Se esses são fenômenos coexistentes, mas diferentes e independentes, ou se a fase de transição entre “velhas normas” e “novas ordens” impulsionam os sujeitos a buscarem meios de atenuar suas incertezas, o fato é que, nunca o homem se sentiu tão perplexo a respeito do amor e do sexo.

Logo escrevo sobre o amor na contemporaneidade.