O Amor na contemporaneidade.
Vimos que durante um longo período da história, o amor foi visto como um sentimento que surgia após o casamento, de modo que não possuía o caráter fundamental que ostenta hoje. Sendo assim, o casamento não acabava quando o amor terminava. A necessidade de criamos, hoje em dia, de unir amor e casamento gerou em nós expectativas que, segundo Jablonski (1991), estão fadadas à frustração. Para ele, o amor se tornou entre nós, ao mesmo tempo, fator de união e desagregação do casamento contemporâneo.
Talvez isso ocorra devido a uma supervalorização da cultura do chamado “amor-paixão”. Alguns autores destacam a existencia de dois tipos de amor: O amor-paixão e o amor-companheiro. No primeiro caso há. Alem da idealização do outro, atração visual, desejo de servir (ser servido), adoração, flutuação do humor, entre outros.
Esta tendência à idealização vai diminuindo com o amadurecimento, levando assim ao amor companheiro. A transformação em amor companheiro ocorre quando a relação permanece, de forma que sobressaem a ternura, a amizade, o companherismo. Mas esta “evolução” no casamento significa para muitos o fim do amor, pois estes não suportam a passagem da paixão para ocompanherismo. Entretanto, segundo o autor, é o amor companheiro que torna duradouro um casamento: “Se o amor-paixão faz, nos dias de hoje, ‘acontecer’ os casamentos, é o amor-companheiro que vai mantê-los” (p.77).
Vivemos numa época em que, ao mesmo tempo em que observamos certa descartabilidade nas relações, percebemos em contrapartida um grande investimento emocional nas mesmas. Existe atualmente uma ambivalência de atitudes no que diz respeito aos relacionamentos amorosos. Os novos arranjos tentam conciliar sentimentos duradouros com a fugacidade da vida moderna. Prioriza-se a qualidade e intensidade do relacionamento em detrimento do compromisso de perdurar enquanto casal até a morte.
A este respeito, Giddens (1993) enfatiza dois aspectos. Um deles se refere ao fato de as pessoas se utilizarem cada vez mais do termo relacionamento – e não namoro ou casamento – para designar o vinculo que as ligam a seus parceiros. Essa mudança, que é sem dúvida bem mais do que terminológica, denota as transformações por que passa o casamento e uma série de outras situações nas quais as pessoas, associadas umas às outras por vínculos emocionais próximos e continuados, só mantêm seu relacionamento enquanto ambas as partes considerarem que extraem dele satisfação suficiente, para cada uma individualmente.
O tipo de amor em questão é confluente e não mais romantico. O autor define como confluente esse tipo de amor que volta-se para a busca de um “relacionamento especial”, e não de uma “pessoa especial”. Nessa busca, o fator preponderante não é a consideração o cuidado ou a referencia à pessoa amada, mas a preocupação com a relação, que, submetida a um processo constante de negociação e de construção, merece cuidados especiais. O relacionamento erótico-afetivo só é mantido enquanto cada um dos parceiros obtém um certo grau de benefícios que justifique a sua continuidade.
O amor confluente presume igualdade na doação e no recebimento emocional de modo que só se desenvolve até o ponto em que cada parceiro está preparado para manifestar preocupações e necessidades em relação ao outro e está vulnerável a este outro.
Este tipo de amor também traz para o cerne do relacionamento a importância do erotismo, do prazer sexual como elemento essencial para a manutenção ou a dissolução da união. Assim, cada vez mais os casais recorrem a fontes de informação, aconselhamento e treinamento sexual como forma de se manterem atualizados, e como isso serem capazes de proporcionar maior satisfação para o outro e para si mesmos.
Giddens (op.cit) considera que atualmente os ideais de amor romântico tendem a se fragmentar diante da pressão da emancipação e da autonomia sexual feminina. Este tipo de amor dependeria da identificação projetiva, característica do amor-paixão, como fator imprescindível para que os parceiros sintam-se atraidos e desejem se unir, criando assim uma sensação de totalidade com o outro. No entanto a identificação projetiva não seria compativel com o desenvolvimento de uma relação que dependa da intimidade para ter continuidade.
Deveres e obrigações ligados ao casamento tradicional heterossexual indissoluvel são descartados como retrogrados e postos em dúvidas, assim como a idéia de que o amor seria o componente básico e essencial ao exercicio da sexualidade plena. Amor e sexo não mais caminham, necessariamente, lado a lado. Hoje muitos jovens optam pela coabitação em detrimento do casamento por acreditarem que a falta de compromisso, a ausência de delimitações legais da relação é o que garante a sua qualidade.
O que há algumas décadas poderia caracterizar-se como permissividade sexual, hoje é visto como liberdade de escolha, independência, especialmente para as mulheres, que ainda lutam para consolidar sua emancipação e autonomia sexual. A possibilidade de as pessoas se unirem e de manterem unidas em decorrência única de elos subjetivos ligados ao desejo é tida como um direito inquestionável do individuo, cuja fidelidade maior situa-se na relação que ele mantém consigo mesmo, com seus prazeres, sua felicidade e seu bem-estar pessoal.
Mas, apesar de tudo isso, não são poucos os jovens que ainda buscam uma união legitimada civel e ou religiosamente. Chaves (1997) afirma que a família e o casamento continuam sendo pontos de referencia básica, e que, paradoxalmente, nunca mais a familia e o casamento serão experiências vividas da mesma forma como foram no passado.
Para ela, ao mesmo tempo em que o ideal igualitário da sociedade moderna trouxe para os indivíduos um sentimento de liberdade, o enquadrou dentro de outras normas e valores. As formas de poder não teriam deixado de existrir, e sem se deslocado de instâncias visiveis para outras relativamente invisiveis.
“O ideal do casamento moderno é a intimidade psicológica total. A percepção de que o outro é deferente, dotado de uma individualidade própria, e o respeito mútuo são condições imprescindíveis para a existência do casamento. É necessário que haja amor, companherismo, bom relacionamento sexual, compreensão, autonomia, capacidade de estar só e de auto-observação, estabilidade, confiança, sinceridade, honestidade e autenticidade. Demonstrar o amor é uma necessidade imperiosa, assim como compartilhar o cotidiano” (Chave, 1997,p.28).
Aquilo que a autora chama de “casamento confessionário” gera no casal muitas expectativas, assim como impõe uma relação de intensa intimidade que prevê um alto grau de auto-revelação de ambas as partes. E este “dever” de “se dar”, se mostrar, acaba por produzir uma situação paradoxal: as fronteiras individuais tendem a se desfazer ao mesmo tempo em que sentem casados à maneira indicidualista. A obrigadoriedade da intimidade às vezes atrapalha regras básicas de convivência, podendo acarretar num esgotamento da relação. O ideal contemporâneo de casamento prevê uma entrega total do individuo, o que além de gerar expectativas e idealização do outro, pode produzir uma sensação de esvaziamento, provocando assim tensões e conflitos na relação conjugal.
Segundo Chaves (op.cit), os relacionamentos amorosos de hoje têm como requisitos indispensaveis o desejo, a verdade, e a individualidade. O que determina a escolha do parceiro ou a permanência na relação são a vontade e o desejo, ambos bem claros.
A preocupação com o próprio prazer se sobrepõe ao investimento no outro e a sensualidade do corpo é muito valorizada. A qualidade das relações também é muito importante, visto que atualmente elas mantêm-se somente enquanto prazerosas e úteis para ambos.
Mas somados à valorização da vontade própria e da individualidade existe um desejo de estar junto, de casar, conviver, se unir a alguém, neste sentido,
Féres Carneiro(1998) chama a atenção para “o difícil convívio da individualidade com a conjugabilidade” já que muitas vezes parece que uma tende a anular a outra. Ao mesmo tempo em que os ideais individualistas estimulam a autonimia dos cônjuges, valorizando o crescimento e o desenvolvimento de cada um, existe também uma necessidade de vivenciar a conjugalidade, a realidade comum do casal, os desejos e projetos conjugais.
Féres-Carneiro (op.cit) afirma que todo casal precisa conciliar em sua dinâmica duas individualidades e uma conjugalidade, pois são dois sujeitos com todas as suas vicissitudes e histórias individuais convivendo com um desejo conjunto, uma história de vida conjugal, um projeto de vida do casal. O casal cria assim um modelo único que define a sua existencia enquanto tal, identificados pela autora como “identidade conjugal”.
Ao estimular a autonomia do indivíduo, a família cria uma contradição entre a negação e a valorização de laços de dependência, o que acaba ocorrendo também no laço conjugal, onde, segundo a autora, “é preciso ser ‘um’ em sendo ‘dois”. Assim os relacionamentos conjugais nas sociedades ocidentais modernas são mais valorizados e priorizados que as relações sociais e familiares mais amplas.
Investigando as expectativas e visões de mundo de homens e mulheres em relação à constituição de modelos de casamento e de família, Jablonski (2003) CONSTATOU que a sociedade age de forma ambivalente. Os estimulos são ao mesmo tempo de união amorosa e de ruptura dos laços. A exaltação de um estilo de vida altamente individualista é incompatível com o espírito do “familismo”. Assim, os apelos ao novo e à descartabilidade confronta-se com a noção de comprometimento inerente à opção de quem quer se casar.
Ao discutir os limites da individualidade nas relações amorosas, Magalhães (1993) destaca que a sociedade moderna está vivendo – em termos psicanalíticos – a “era do narcisismo”, marcada pelo culto ao ego: “O casal moderno privilegia a multiplicação de ensaios, busca da unidade perfeita ao invés de submeter-se ao compromisso da longevidade. Na medida em que caíram por terra os imperativos sociais, econômicos e religiosos que favoreciam a duração e a indissolubilidade, o amor passa a comandar a vida a dois” (magalhães, 1993, p.59).
A autora observou que o discurso do ideário igualitário se manifesta de maneiras deferentes de acordo com a faixa etária. Mais atingidos pela aceleração do processo de modernização em fases ainda precoces do seu desenvolvimento emocional-afetivo, os mais jovens apresentam um discurso mais marcado por valores individualizantes e, consequentemente, sofrem os conflitos e ambivalências resultantes da coexistência de valores modernos e arcaicos.
Magalhães (op.cit) afirma que o casamento moderno, marcado pelo individualismo, privilegia o prazer. Os jovens casais definem o casamento com base no aumento da convivência, enfatizando a satisfação individual dos cônjuges e o prazer “a dois”, assim como a privacidade. No casamento moderno os filhos são vistos como obstáculos à privacidade conjugal.
Existe maior valorização e discriminação dos projetos individuais nos casais mais jovens, de modo que o crescimento profissional dos sujeitos tem grande influência na relação. O casamento também é visto muitas vezes como um empecilho ao desenvolvimento profissional dos parceiros. Normalmente a contrinuição nas despesas é proporcional ao ganho de cada um.
A autora observou em suas pesquisas a grande importância dada pelos sujeitos à liberdade e à fidelidade. Ninguem abre mão da exclusividade do parceiro, e nos casais mais jovens a liberdade para permanecer ou não na relação é confrontado com declarações de insatisfação dos sujeitos no que diz respeito às relações sociais do parceiro com pessoas do sexo oposto.
Magalhães (1993) considera que a excessiva preocupação com o prazer individual na sociedade moderna favorece a falta de sintonia entre os parceiros. Enquanto as mulheres enxergam no aumento da intimidade um fator de melhoria na vida sexual, os homens consideram exatamente o oposto: o excesso de intimidade provocaria o desinteresse sexual.
Existe ainda um desconpasso no que diz respeito à introjeção dos valores individualistas. As mulheres teriam sido mais atingidas pelo processo de modernização, talvez pela necessidade de se igualar ao homem, de modo que hoje elas se apresentam mais identificadas com os valores individulistas, enquanto os homens se apegam mais aos valores hierárquicos.
Constatamos assim que a convivência de valores igualitários e hierárquicos provocam certa descontinuidade, principalmente entre os mais jovens, causando conflitos e ambivalências. Os valores introjetados precocemente pelo sujeito não acompanham a velocidade do processo de modernização, ainda que o discurso individualista esteja presente.
Bauman (2003) também ressalta a liquidez e a fugacidade das relações contemporâneas. Ele afirma que para muitas pessoas o amor é um acontecimento recorrente, ou ao menos aquilo que elas julgam ser amor. Enquanto vivem uma relação de amor, essas pessoas tem plena consciência de que outras virão, de modo que continuam, de certa forma, “abertas” a novas possibilidades. Assim, a noção de “amor eterno” caiu por terra, do mesmo modo que o padrão das experiências chamadas amor. A expressão “fazer amor” é hoje utilizada para designar até mesmo uma eventual noite de sexo.
Assim sendo, passamos a acreditar que amar é uma habilidade que pode ser adquirida e até aperdeiçoada com a prática, de modo que cada experiência pode ser melhor que a anterior. Para o autor, esta é uma ilusão, pois experiências sucessivas de relações amorosas não levariam a um aprendizado do amor, mas ao contrário, aperfeiçoariam as habilidades de “terminar rapidamente e começar do início outro”. O amor não comporta regras invariáveis, pois os relacionamentos se dão num espaço instável, o que torna a repetição de bábitos inútil, quando não desastrosa.
Bauman (op.cit) destaca o caráter criativo do amor. Amar é reconhecer a liberdade incorporada no outro, o desconhecimento do futuro, o que requer coragem e humildade, tornando tal habilidade rara em uma sociedade imediatista e consumista como a nossa.
A estreita relação do amor com o padrão e com o mistério faz com que as tentativas de posse, de poder, de fusão sejam mortais para este sentimento. Mas infelizmente essas inclinações caminham lado a lado com ele. O amor não suporta o misterioso encantamento do outro, então precisa subjugá-lo, e quando consegue, o encantamento se esvai. “Eros move a mão que se estende na direção do outro – mas mãos que acariciam também podem prender e esmagar” (p.23).
As diferenças pessoais são um fator que, invariavelmente, gera conflitos para o casal. O ser amado é comparado por Bauman (op.cit) a uma tela, onde o sujeito busca pintar e retocar até que a pintura se revele um retrato do próprio pintor. Assim, a adoração do ser amado se aproxima da auto-adoração.
O autor compara o objeto do amor a um bem de consumo. Assim como os impulsos, inclusive aqueles que nos levam a consumir, as relações modernas têm declaradamente um caráter transitório. Nada do que ocorrerá neste curto espaço de tempo trará consequências duradouras o suficiente para influir numa relação futura. E tal qual acontece com os bens, o objeto amaroso é trocado logo que aparece outro mais “moderno” ou “atraente”.
O relacionamento é visto também como um investimento. Como tal, ele possui riscos e almeja algo em troca: o lucro, que viria sob a forma de amor, companheirismo, ou seja lá o que esteja buscando. No entanto este lucro nunca é garantido. Sendo assim, a promessa de compromisso, que sofre a influência de vários fatores no relacionamento, torna-se-ai irrelevante a longo prazo. O questionamento acerca da escolha certa se faz então inevitável.
A pessoa precisa estar sempre vigilante. Para o autor, estar num relacionamento significa uma incerteza permanente.
Visando pôr fim à insegurança trazida pela solidão, a busca de um relacionamento acaba, portanto, acentuando o sintoma.
Para Bauman (2003), as relações de curto duração são altamente prazerosas porque trazem o conforto de não exigirem dedicação nem comprometimento. São acima de tudo convenientes. O pouco investimento emocional faz com que as pessoas sintam-se mais seguras, menos expostas.
Ao traçar parâmetros definitórios para as relações afetivas, Puget e
Berenstein (1993) fazem uma análise dos diferentes tipos de vínculos que unem duas pessoas. Com base nesta análise poderíamos dizer que as relações prevalecentes na atualidade se aproximam mais do que eles chamam “vínculo de amantes”, definido como “a relação amorosa exogâmica entre dois egos, hetero ou homossexual, com negação e/ou recusa de enquadramento matrimonial” (p.14)
Segundo eles, este tipo de vínculo não tolera projetos implicando futuro e tem como vantagem a possibilidade de recriar ilusoriamente uma vivência de incondicionalidade. Sem a estabilidade trazida pela cotidianidade – Paramêtro definitório que caracteriza o vínculo matrimonial, que se refere ao tipo de estabilidade baseada em uma unidade temporal e espacial caracterizada pelos intercâmbios diários – fixa-se a ilusão de um prazer permanente, livre de obrigações.
No caso dos relacionamentos conjugais, oficializados ou não, a consciência da fragilidade do vínculo de afinidade, ao contrário do vínculo de parentesco, preocupa e traz o peso da responsabilidade. A qualquer momento podem surgir dúvidas quanto à opção feita. A escolha requer reafirmação diária a fim de se manter a afinidade. E essa dedicação e esforço de reafirmação são preços que muitos preferem não pagar.
A emergência de uma sociedade individualista trouxe encargos que transformaram os relacionamentos conjugais quase que num desafio. É interessante perceber que, mesmo que isso cause muito temor, também instiga, como se o grande atrativo fosse justamente a superação das adversidades. Esta tendência a ir de encontro ao conformismo que poderia resultar das dificuldades, aparece quando abservamos o surgimento de variadas formas de relacionamento amoroso.
A maneira como encaramos o amor atualmente é claramente distinta de outras épocas, distinta inclusive de acordo com a cultura. Quando voltamos no tempo para buscar referência a respeito deste sentimento em sociedades mais antigas, não é fácil encontrarmos, fora das expressões artisticas, dados sobre o relacionamento íntimo do casal, aquilo que hoje chamamos de “envolvimento psicológico”, de maneira que muitas vezes recorremos à dedução a partir de outras informações obtidas, o que não deixa de ser coerente. Mas quando falamos a respeito de outras culturas, em outras épocas, precisamos relativizar conceitos que para nós, atualmente, são bem mas concreto. Ao afirmarmos que não existia ou não existe amor nos casamentos em determinada sociedade, de que conceitos de amor estamos tratando? Vimos aqui que a ascenção do individualismo, bem como a industrialização, dentre outros fatores, trouxeram mudanças bastante profundas para as relações sociais, mudanças que já iam sendo processadas, mas que num curto período de tempo intensificaram-se.
Assim, o amor adquiriu, entre nós, características impensáveis tempos atrás, podendo até mesmo reunir em uma só relação aspectos contraditórios, anteriormente atribuídos somente às relações conjugais ou somente às extraconjugais. Conforme afirma
Guby (1991) as maneiras de amar assim como as relações entre o masculino e o feminino já não são as mesmas.
Mas ao mesmo tempo, é possível perceber no amor contemporâneo traços já vistos em outros tempos, o que nos leva a crer que, apesar de ter adquirido uma configuração aparente do passado, conjugando-as com novas normas e valores. E este amor é por nós supervalorizado a ponto de considerarmos qualquer variação a tal modelo como ausência do mesmo. Podemos então citar, no outro extremo, Bottéro (1991), segundo o qual, o amor e a sexualidade estão inseridos na nossa natureza mais profunda e primária, de modo que cada cultura os apresentam à sua maneira.
Quanto ao futuro dos relacionamentos, Jablonski costuma dizer que estamos caminhando para os chamados “casamento seriais”, ou seja, para uma época (não muito longe) em que as pessoas se comprometerão em seus relacionamentos, mas somente por um período, após o qual poderão se dedicar a um novo relacionamento, também temporário, e assim sucessivamente. Isso não significa necessariamente uma diminuição da intensidade do envolvimento emocional, conforme foi visto. Ao que tudo indica, esta é mais uma forma de adaptação necessária aos novos tempos. Só não sabemos até quando o amor continuará a mantes o status de condições para o casamento, uma vez que o desenvolvimento das relações sociais no curso do tempo segue movimentos cíclicos, como foi possivel constatar.